sexta-feira, 7 de março de 2008

entre a dor e o sublime

a questão não aparece antes de se mostrar. entendendo assim, é sempre prematuro prever. sou do tipo que ainda prefere acreditar e quando se engana sempre tenta justificar o erro com o próprio engano - erro do outro - ao que se refere e de si mesmo. mentira não é definitivamente o oposto da verdade. mentira é por si só aquilo que não é. ou seja, consegue ser a verdade daquele que cria para a inverdade a quem se destina. é e não é alguma coisa. verdade não é coisa a que se possa revelar e de certa forma, ainda toca o outro. tenho dúvidas sobre a extensão da malícia daquele que cria. acho que por muitas vezes é possível não ter o próprio entendimento do relevo. acho também que em muitos casos - é. como sou aquele que busca o entendimento - mesmo que o saiba verdadeiramente, penso que é possível investigar. não pretendendo mentir para mim mesma. e para o outro, evito o máximo que posso.
mas, o que assusta é o prazer da manipulação do fato, o reinventar, os novos contornos, os cinismos, a estética prazerosa do convencimento. diria kant, sublime - o belo estupidamente feio. o fato tão monstruosamente bem construído, que dá àquele que o pratica - uma sensação de quase transcendência, de poder, de superioridade - diante do que está velado, sob a sua condição, sob o seu eterno - suposto - controle.
morte aos fracos que se escondem por trás da perversidade. morte aos que já morreram pra si. morte aos que não se suportam vivos com suas capas frágeis, sob esqueletos falsos, sob estruturas esquivas, sob um sonho mórbido de perecerem crianças - órfãs de si mesmas - daqueles a quem não permitiram viver.

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