Queiroz e outros tantos mais (inclusive eu)
crianças dormem inocentes
do outro lado - jaz
frio
não mais sente
dorme definitivamente
caiu de dor
tombou
para não mais acordar
o corpo
presência contumaz
do que não é mais
e foi
para onde não sabemos
é presença pra lembrar
de sua própria ausência
foi pra não mais voltar
sem despedidas
foi
no espaço interrompido
dos projetos
que não são mais
foi
para janelas
que não sabemos quais
foi
sem comunicação prévia
sem cartas
sem diálogos de adeus
foi
deixou pra trás
rastros na história
memória
amores
afetos
trajetórias
e enquanto somos
prantos
apenas estamos
testemunhas oculares e vivenciais
do que somos - enquanto ainda - apenas ainda, estamos.

3 comentários:
lindo! Admiro sua capacidade de fazer tudo ao mesmo tempo, e como abre teu espaço para tanta escrita...
Hipérbole minha.... seu comentário sobre GRITO NO MEIO DA CHUVA no Tlaloc foi preciso e infalível como Bruce Lee.
E teu poema pro Queiroz lembra muito algumas coisas do Hanz Magnus Enzensberger. O mesmo ritmo e cadência, preciso e amplo. Cada vez melhor pequena.
TE ADORO PEDRITA
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