quinta-feira, 10 de abril de 2008

Queiroz e outros tantos mais (inclusive eu)

crianças dormem inocentes

do outro lado - jaz

frio

não mais sente

dorme definitivamente

caiu de dor

tombou

para não mais acordar

o corpo

presência contumaz

do que não é mais

e foi

para onde não sabemos

é presença pra lembrar

de sua própria ausência

foi pra não mais voltar

sem despedidas

foi

no espaço interrompido

dos projetos

que não são mais

foi

para janelas

que não sabemos quais

foi

sem comunicação prévia

sem cartas

sem diálogos de adeus

foi

deixou pra trás

rastros na história

memória

amores

afetos

trajetórias

e enquanto somos

prantos

apenas estamos

testemunhas oculares e vivenciais

do que somos - enquanto ainda - apenas ainda, estamos.

3 comentários:

Simone Couto disse...

lindo! Admiro sua capacidade de fazer tudo ao mesmo tempo, e como abre teu espaço para tanta escrita...

Caê Guimarães disse...

Hipérbole minha.... seu comentário sobre GRITO NO MEIO DA CHUVA no Tlaloc foi preciso e infalível como Bruce Lee.

E teu poema pro Queiroz lembra muito algumas coisas do Hanz Magnus Enzensberger. O mesmo ritmo e cadência, preciso e amplo. Cada vez melhor pequena.

Unknown disse...

TE ADORO PEDRITA