ao passo que não dei
era pra ser um sinal apenas. uma chamada não atendida. não foi. deixei tocar insistentemente para ver quanto tempo vale sua espera e a minha. não suportei. atendi. a voz familiar do outro lado pedia - sempre pedia - ora por despejo, ora por súplica, ora por ingratidão. eu nem sempre atendia - aos contatos e aos pedidos. esse eu não neguei. o ruído na escala polifônica escolhido ainda é o que lhe identifica - talvez nem você mesmo o saiba - eu sei. tal qual filhote de pavlov - atendi súbito. não era dia pra isso. não foi. você forte - eu, com todos os motivos para estar forte - fraca. pausei, entreguei o jogo. virei peça fácil. me encolhi em mil malabarismos mentais para suportar o soco que vinha em direção do peito, direto dos ouvidos. ouvi, falei. falei mais do que deveria. não era pra tanto. preciso ainda treinar para suportar o tremor dos lábios quando suas palavras me invadem. não suportei ao toque. não suportei a pressão. perdi o ar - rar-efeito, raroefeito da solidão. o chão me escapa, as pernas se retorcem no caminho - hei de achar os trilhos - hei de enquadrar coração, espinha e mente pra seguir sem pestanejar - espinha ereta e o coração tranquilo. ainda não sei.já deveria ter aprendido.
